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Agenda ruim

Por Antônio Teodoro

Infelizmente as notícias da semana não são animadoras. O BC já avisou que o crescimento econômico projetado foi novamente rebaixado. As amarras do crescimento estão fortemente ligadas à estagnação do consumo e a perda de confiança do setor industrial em buscar investimentos consistentes na ampliação e qualificação produtiva.

Precisa-se urgentemente recuperar os níveis de produtividade industrial, romper sua tendência de queda e marcar de fato uma reviravolta.
Paralelamente a isso, precisamos manter o calendário de investimentos estruturais. O governo precisa superar o "Mal da Sanfona" pelo qual sofre. Todas as suas ações sempre são cheias de erros e tentativas. Os erros infelizmente precedem as suas tentativas, pois suas idéias já nascem comprometidas, já nascem sem arcabouço capaz de sustentar as afirmações. Assim, expande-se, solta a voz pela sociedade, mas rapidamente é compelido a repensar o projeto.

Este vai e vem, compromete a função gestora, fiscalizadora e social. Perde-se credibilidade. Parece-me que o rolo compressor do governo em votações a favor de seus interesses partidários não opera com a mesma força quando a motivação é uma melhora significativa no status desenvolvimentista da economia nacional.

Não há segregação absoluta entre privado e público. É simbiótica a relação entre as áreas. Todos devem ser e são agentes sociais mobilizadores das forças que constroem o país. O que não se pode encontrar neste campo são relações econômicas promíscuas, que caminham sempre com a falta de transparência.

Acrescenta-se a esta agenda negativa que toma a semana o fato da retomada gradativa do IPI para alguns produtos fortemente consumidos pelas famílias brasileiras. A retomada já estava programada, mas muitos agentes esperavam a manutenção das alíquotas em níveis inferiores.

Porém, com uma temperatura amena no comércio, acho quase improvável um repasse integral dos novos impostos ao preço final, sem contar os gigantescos estoques guardados no Setor. Já para as compras de Natal, os preços deverão subir.

Mantendo-se nesta agenda negativa, o governo sinaliza que irá retrair sua atuação dentro do mercado de crédito bancário, retirando parte da dose expansionista do crédito estatal e devolvendo aos bancos privados a responsabilidade de manter aquecido o consumo interno. Seria um atestado de que errou ao intervir tão fortemente na economia ou uma certeza de que o que poderia ter sido feito, foi feito?

De um lado, acredito ser extremamente salutar devolver ao mercado sua ordem natural, com as interações entre as forças de mercado, mas com regulação forte. De outro, como a mão pesada desequilibrou tais fatos, deve-se tomar cautela redobrada neste movimento de saída.

Receio que a saída será aumentar a taxa de juros, elevando o endividamento das famílias e puxando o já esfomeado setor financeiro a fazer banquetes com as migalhas que sobram do orçamento familiar.

Mais um ponto negativo, que corroe sempre o orçamento dos mais pobres de forma intensa, é o nível inflacionário. Textos e mais artigos argumentam as diversas formas e origens inflacionárias. Todos conhecem e reconhecem seus sintomas, mas insistentemente o governo decide esquecê-la, como se fosse algo que se pode tirar e colocar na gaveta a qualquer momento e ao seu bel prazer.

Novamente, o BC altera sua expectativa inflacionária, permanecendo longe do centro da meta, muito mais próximo de estourar seu teto do que verdadeiramente sua conjectura. Menos crescimento e inflação galopante, sem contas públicas ordenadas e setor exportador capenga são uma combinação perigosa.

Dentro desta seara de notícias, que apenas salpicaram o imbróglio tupiniquim, tivemos uma importante noticia sobre os papeis de investimento disponíveis no mercado nacional.

Sempre em tempos de incertezas e alta especulação, a Bolsa de Valores volta a brilhar e capta rentabilidade de outros produtos. Mesmo a Bovespa apresentando excepcional índice, atribuo ao capital volátil e especulativo sua valorização. Ou seja, dinheiro sujo produzindo capital, retirando do lado real da economia e se perdendo nos ralos de especuladores e manipuladores do sistema.

Para que as noticias não sejam apenas negativas, o governo sinaliza para a classe média alta a possibilidade de se financiar e utilizar FGTS para compra de imóveis entre 650 e 750 mil reais. Seria mais uma tentativa de penetrar sua massa eleitoral em outras camadas ou boa fé em contemplar tais produtos para construtoras de alto padrão? Ou seria a comprovação de como o setor imobiliário vem inflando seus valores dentro de uma bolha que terá de ser ajustada na próxima década?


Antônio Teodoro. Economista e professor.
 

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