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Unidade, Liderança e Despotismo

Por Everaldo Leite

Muitos autores tratam do tema da liderança, a maioria de forma piegas, excessivamente didática ou, não raramente, apontando para metáforas insensatas. Líderes, na maioria dos casos, têm como núcleo dos seus interesses e sentimentos tão somente o "poder", de forma a sempre buscar assegurar a viabilidade dos seus desejos na proporção da força positiva que exercem sobre seus seguidores. Os meios, portanto, para consolidar-se são a manutenção crítica da unidade de objetivos (mesmo que haja aí um pouco de utopia) e, evidentemente, a própria unidade valorativa do grupo, da equipe ou dos colegas.

Se o líder ambicionar apenas o aplauso da multidão, logo deteriorará o entusiasmo ao seu redor e sua liderança será passageira. O mesmo ocorrerá se sua liderança for somente um troféu, conquistado pelo esforço profissional. Ao chegar à posição de liderança (em funções gerenciais, diretivas etc.), seu objetivo terá sido alcançado e muito pouco conseguirá manter no longo prazo. Exclusivamente o "poder" é irredutível no alcance do verdadeiro líder e sua sustentação (a unidade) uma veraz vocação. "Uma pessoa com uma crença é um poder social igual a noventa e nove que possuem apenas interesses", dizia John Stuart Mill.

Num primeiro momento, a unidade advém espontaneamente das instâncias dos indivíduos que se entregam a uma aliança. No processo, a liderança não é disputada, pois o líder se sobrepõe naturalmente ou é içado pelos parceiros pela notoriedade de suas ideias, princípios ou experiências. A unidade garantirá que a sua personalidade se justaponha à instituição que representa e o conjunto se sentirá bem ante a convergência de valores e à definição de escopos. Observa-se que lideranças artificiais, impostas aos indivíduos nalguma circunstância, precisam assegurar rapidamente a unidade provando serem portadoras de ideias, princípios e experiências afluentes à equipe (ou à empresa, ou à sociedade etc.) ou são detestadas categoricamente.

A responsabilidade pela manutenção do poder é meramente do líder. A direção tomada, destarte, tem muito a ver com a conduta, mas, especialmente, a ver com o que profere. O Cardeal de Retz afirmava que, para um líder, "é ainda mais prejudicial dizer tolices do que cometê-las". Se o poder está vinculado à unidade, os sinais enviados - escritos, falados e comportamentais - precisam ser transparentes, não evidenciando minimamente dissimulações, ambiguidades ou torpezas imaturas, e precisam apresentar posições de vínculo, de amarração. Do contrário, a sua mensagem arruína o seu próprio comando, pois os indivíduos reagirão mal aos seus movimentos, produzindo um tipo de defensiva. Depressa, perderá o poder, depois, a função.

A maior virtude de um líder, entre tantas necessárias, está não tanto na inteligência, e sim na sabedoria, na filosofia que vivencia, que o faz se autoconhecer, e transmite. Sua crença deve ser no poder, porquanto suas atitudes devem obedecer a uma trajetória correta (e corrigível), uma linha de reputação clara, e perseguir o que se podem considerar bons atributos: temperança, coragem, humildade etc. A maior falha de um líder, logicamente, está na perda de credibilidade por este assumir um comportamento arrogante, soberbo, despótico. Esta quebra representa o declínio psicológico de ambos os lados da relação líder/liderados e concebe o deslocamento contrário entre objetivos e meios para atingi-lo.

Enfim, mesmo que os clichês publicados sobre liderança tragam visões fantasiosas sobre líderes e lideranças e seus autores vendam rios de livros, é relevante que os indivíduos mais apegados ao mundo real entendam a humanidade vulgar através do glamour dos líderes e saibam mais sobre a necessidade do poder e a crença no poder. Aos líderes de verdade, que não se submetem a ciclos alcantilados de personalidade, as causas de suas lideranças lhe são intrínsecas e os efeitos bem sabidos. Aos falsos líderes, aqueles não sábios, restam a lembrança das palavras de La Rochefoucauld: "É tão fácil nos enganarmos a nós mesmos sem percebê-lo como é difícil enganarmos os outros sem que eles percebam".

Everaldo Leite é economista e Conselheiro do Corecon 18ª Região.
 

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