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A Figura do Economista Empreendedor

Por Everaldo Leite
 

Na ordem prática da profissão se pode dividir os Economistas em duas alas, a dos acadêmicos e a dos que atuam no mercado. A despeito desta bifurcação, não se deve dizer que o feito seja uma separação radical e sistemática. Economistas precisam estar constantemente buscando novos dados, informações e conhecimentos e há ab ovo um mutualismo pujante entre academia e mercado. O mundo real somente pode ser analisado e suas camadas distinguidas se se levar em consideração uma perspectiva econômica que aglutine teoria e experiência.

Se pode também verificar subdivisões interessantes entre os Economistas. Os profissionais acadêmicos podem ser decompostos entre cientificistas e políticos. Os primeiros voltados para a explicação e prova matemática das leis e axiomas da ciência e os segundos adstritos ao modo mais racional e crítico de se utilizar o saber econômico junto à sociedade. Obviamente, existe aí um duplo benefício, já que é uma ciência positiva e normativa, e uma extensão entre a falta e a presença do juízo de valor.

Os profissionais de mercado, por sua vez, podem ser subdivididos entre os que atuam no setor público e os que operam no setor privado. Os primeiros estão vinculados à burocracia e às formulações de políticas econômicas e públicas no âmbito do executivo, do legislativo e do judiciário, na administração direta e indireta, seja nas esferas dos municípios, dos Estados ou da União. Os segundos estão capacitados para o trabalho dentro das empresas, particularmente no setor das finanças empresariais e planejamento, ou podem militar no domínio das consultorias, perícias, auditorias e projetos, como autônomos ou empresários destes segmentos.

Não obstante, apesar de seu conhecimento elevado, poucos são os Economistas a implantar suas próprias empresas de oferta de bens e serviços, quero dizer, que não sejam aqueles privativos à profissão. Curiosamente, com grande conhecimento micro e macroeconômico, esses profissionais não são estimulados a empreender ativamente em segmentos da indústria ou do comércio e acabam deixando passar a oportunidade de investirem e competirem em diversos outros mercados. Atualmente, é acanhada a presença de economistas empreendedores no comando de micro, pequenas, médias e grandes empresas competitivas.

Não estou dizendo aqui que Economistas consultores e afins não sejam empreendedores, mas é certo que existe uma infinidade de atividades empresariais que seriam exercidas com grande qualidade caso fossem geridas por indivíduos com amplo conhecimento econômico. O que ocorre então? O que os faz ter desconfiança sobre o seu futuro numa atividade empreendedora? Será que o conhecimento profundo das incongruências políticas e tributárias da economia brasileira faz o Economista abandonar projetos deste gênero? Administradores e Contadores, não raramente, logo após encerrarem seu período de treinamento acadêmico, se engajam nas frentes empreendedoras e - são muitos os casos - criam empresas bastante rentáveis e bem posicionadas.

Outrossim, não estou aqui, neste breve artigo, diminuindo o espectro do que venha a ser empreendedorismo, mas está evidente que estudantes de Economia não têm conseguido enxergar tal oportunidade, não da mesma forma como distinguem um concurso público. O que deve ser visto como algo preocupante. Talvez, nas faculdades, uma matéria de empreendedorismo fosse útil, mas, para melhor, deveria, dentro das disciplinas, ser sugerida ao aluno por todos os professores desde o início do curso. A figura do "Economista Empreendedor", inclusive, se mostra mais fidedigna e coerente hoje em dia do que a imagem de qualquer outro profissional dito empreendedor. Operar nos ciclos e compreender as crises não é alguma coisa para amadores.

O mercado está para o Economista como o céu está para o condor, em tese e na prática. Ademais, o empreendedorismo qualificado é a melhor forma de aperfeiçoar a própria economia (economy), notadamente no campo da produtividade dos fatores e da inovação, como lembraria Schumpeter. Ora, Economistas empreendedores, competi-vos!


Everaldo Leite é Economista e Conselheiro do Corecon 18ª Região.

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