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O Calvário da Petrobras

Por Meykell Lamberty Cruvinel

"Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará." Esta é uma conhecida lei de Murphy, foi com este pensamento que muitos esperavam que passadas as eleições, esta tempestade no mercado de capitais criada entre Dilma e Aécio poderia terminar ou ganhar mais força. Caso a tempestade acabe e talvez os investidores retomassem o fôlego e o apetite ao risco, fazendo novos aportes na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Já os analistas apontam nuvens negras e carregadas em um horizonte econômico próximo. Houve no ultimo dia 03 de Dezembro uma elevação na taxa básica de juros a Selic de 0,50% ficando 11,75% a.a..

Entretanto nos últimos 6 anos e meio a Petrobras e seus investidores, vem enfrentando consecutivas perdas que mais parecem um calvário, incontáveis quedas dia após dia. A Petrobras hoje mista (parte estatal e parte capital aberto), desde maio de 2008 quando os preços das ações eram cotadas à R$ 50,56, vem sofrendo uma forte desvalorização em seus papéis. Isto se deve em parte pelo controle dos preços dos combustíveis imposta pelo governo, quando acreditavam conhecer o suficiente da produção, distribuição e consumo, tais medidas afetaram diretamente os lucros da Petrobras. Em meados de março de 2014 as ações da estatal haviam atingido valores entre R$11,80 e R$12,00, o que por muitos era considerado o fundo do poço mais profundo que o Pré-sal.  E acreditem, aproximadamente 6 meses depois, faltando 1 mês para as eleições, as ações  da mesma Petrobras já estavam negociadas por R$24,56, isso representa um crescimento superior há 100%.

Para o mercado de capitais, isso é uma fortuna em rendimentos, os que aproveitaram este curto ciclo de alta obtiveram ótimos resultados. Desde então as ações da estatal voltaram a cair, fruto da insegurança por parte dos investidores, após inúmeras investigações e prisões por parte da Polícia Federal na famosa operação Lava Jato, com graves suspeitas de má gestão, tráfico de influência e grande desfalque envolvendo grandes empreiteiras. Fazendo uma análise dos últimos 6 anos e meio as ações da Petrobras que já foram cotadas em R$ 50,56 no dia 09 de Dezembro de 2014 foram negociadas há R$ 10,86 um prejuízo superior á 75% ou seja menos de ¼ do que valia em maio de 2008.

Mesmo que nós brasileiros acreditemos que o Brasil seja um país desorganizado e sem rédeas, o mercado financeiro e o mercado de capitais são muito bem regulamentados e protegidos pelo Banco Central do Brasil e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alguns dos órgãos que supervisionam e cuidam de assuntos inerentes aos meios. Afinal o país tem que passar credibilidade, confiança e segurança junto aos investidores internacionais, sejam eles de grande ou pequeno porte, mesmo com capital especulativo de curto prazo, sintam segurança para investir no Brasil. Em meio a uma onda de sensacionalismo apresentados pela mídia televisiva envolvendo apenas o lado político da situação, pouco tem se falado na CVM, que é de fato quem deveria cuidar de parte das investigações na Petrobras. Talvez por isso que a Securities and Exchange Commission - SEC que é o órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos defendendo os interesses dos investidores americanos, decidiu ela mesma investigar os resultados da estatal nos últimos anos, deixando bem claro que caso sejam encontradas irregularidades, (com certeza encontrarão) a estatal poderá ser multada em até 20 bilhões de dólares. Imagino o que são 20 bilhões para a Petrobras, diante dos fortes indícios de tudo que já foi desviado.

Junte tudo isso e misture com a insatisfação e indignação dos investidores que possuem as ações da Petrobras, todos sedentos por lucros, do outro lado a Petrobras que poderá ter uma dívida líquida podendo superar 100 bilhões de dólares até 2018, o resultado desta mistura é muito mais perigosa do que uma carga de explosivos presa ao corpo de um homem bomba. Resta-nos esperar, caso tudo vá pelos ares, talvez a Petrobras ressuscite após o 3° dia e caso aconteça um grande milagre tenha uma gestão séria e competente como deveria de fato ser uma empresa com o porte da Petrobras.

Meykell Lamberty Cruvinel é aluno de Ciências Econômicas da Faculdade Alfa

 

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