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O caos de incertezas na economia

Por Everaldo Leite

À confusão geral dos elementos e dos sistemas chamamos isto de caos, o que não nos permite dizer corretamente que nisto não exista alguma ordem. Ora, se estando num nível mais elevado, nós, indivíduos não peritos, tivéssemos uma visão panorâmica do coração de uma estação rodoviária, teríamos essa impressão de caos. Cada usuário, ao cuidar dos seus próprios interesses, pareceria alguém atrapalhado, circulando para um lado diferente do outro, uns correndo dali e outros parados daqui, com veículos chegando e saindo, também cada um seguindo por um caminho diferente. De fato, nossa perspectiva não especializada do contexto nos levaria a uma ideia de desordem ou de mistério, mas não nos autorizaria a afirmar que haveria ali uma efetiva falta de ordem.

O mesmo ocorre na economia, quando, com atenção, observamos a sua dinâmica aparentemente desarmônica ou estranhamente desnorteada. Mas aqui, por ausência de algum conhecimento particular ou talvez por presunção, nos consentimos afirmar que é mesmo tudo muito complicado, embaralhado e sem limites. Pior, que alguém com competência precisa necessariamente coordenar essa bagunça. Sem dúvida, sempre que chegamos a este tipo de conclusão estamos prontos para admitir uma intervenção dos governos e suas deliberações, considerando ingenuamente, aliás, que os agentes públicos teriam melhor conhecimento e informações para determinar o andamento e a direção da economia.

Entre um terminal rodoviário e um sistema econômico existe uma grande diferença, é claro. O primeiro é de fácil engenharia. Por sua vez, a proporção do segundo é extraordinária e a sua "bagunça" é infinitamente maior, com fluxos mundiais e nacionais para todas as direções possíveis, velocidades diversas e períodos assimétricos de tempo. Verificando, de um ponto de vista externo, como na estação, nada parece se ajustar perfeitamente na economia, mas surpreendentemente tudo se encaixa. A produção, distribuição e consumo, além do mais, precisam essencialmente deste tipo de complexidade para serem realizados de forma eficiente, a tempo e a hora. Assim sendo, o que acha que pode resultar uma interferência governamental nesta "confusão" que chamamos de mercado?

Ora, se deixado à sua natureza, ele se resolve espontaneamente, seja através de investimentos e poupança, seja através da falência dos menos competentes, seja por meio do sistema de preços (juros, câmbio, salários etc.), isto é, em todas as suas esferas ele se autodeterminará e se autodepurará. Quando incidimos o governo, com suas veleidades, autoridades e influências, o que se faz, basicamente, é criarmos barreiras, anomalias, perturbações e, em especial, incertezas sistemáticas na economia. Daí que, onde deveria vingar uma espécie de caos sustentável, conferimos um turbilhão de opacidade nefanda enfraquecendo a visibilidade e a capacidade de decisão dos agentes econômicos. Recessões e depressões são suas configurações mais manifestas.

O Brasil hoje precisa entender que não há, na realidade, motivos concretos para se ter receio dos modos “conflituosos” do livre mercado, isto é notadamente algo de interesse político de sindicatos marxistas, de partidos políticos que ganham em disseminar um futuro apocalíptico, ou de economistas abastardados por conveniência ou ideologia. A liberdade econômica, certamente, sempre significará lucros e prejuízos, ganhos e perdas, vida e morte de empresas, porém sempre resultará em melhores equilíbrios ao longo do tempo, quando bens e serviços se tornam mais acessíveis, as melhores empresas crescem, as pessoas prosperam materialmente e as incertezas são suavizadas. Ademais, "não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas", aconselhava Charles Chaplin.

Everaldo Leite é economista e vice-presidente do CORECON-GO
 

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